“Suicídio acontece”, diz Jair Bolsonaro sobre a morte de Vladmir Herzog

IG Política | 07/07/2018 15:30:03

Embora investigações tenham concluído que o jornalista foi morto por torturadores, disse Bolsonaro sobre morte de Herzog: “suicídio acontece”

Embora já tenha sido reconhecido como morto político em diversas investigações, entre elas uma conduzida pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, para Jair Bolsonaro (PSL), o jornalista Vladmir Herzog, torturado e morto pela ditadura militar no Brasil, pode ter se suicidado.

A declaração do pré-candidato à presidência da República Jair Bolsonaro sobre a morte de Herzog foi proferida no programa “Mariana Godoy Entrevista”, da RedeTV!.

“Lamento a morte dele, em que circunstância, se foi suicídio ou morreu torturado. Suicídio acontece, pessoal pratica suicídio”, disse.

O deputado federal questionou, ainda, que o Brasil tenha passado de fato por um período ditatorial após 1964. “Me define o que é ditadura”, provocou.

Documentos liberados pela CIA, a central de inteligência norte-americana, apontam, contudo, que os generais que governaram o Brasil entre 1964 e 1985 sabiam e apoiavam a morte de opositores ao regime. Mais de 400 pessoas morreram ou desapareceram por se opor aos militares então no poder.

Nesta semana, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o Brasil por negligenciar o direito da família do jornalista Vladimir Herzog de saber a verdade sobre sua morte durante a ditadura.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, elogiou a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) de responsabilizar o Estado pela falta de investigação, julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1974. Segundo ele, a iniciativa reaviva o compromisso em favor da democracia e dos direitos humanos.

A sentença determina ao Brasil reiniciar a investigação e o processo penal pelos fatos ocorridos em 1975 para identificar, processar e, se necessário, punir os responsáveis pela tortura e morte de Herzog.

Também determinou reconhecer, sem exceção, que não haverá prescrição, por se tratar de crimes contra a humanidade e internacionais.

A Corte exige ainda que se promova um ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional em desagravo à memória do jornalista, que se publique a sentença e que sejam pagas as despesas do processo. Contrariando a fala de Bolsonaro sobre a morte de Herzog, ele foi assassinado por torturadores no período em que esteve preso por determinação da ditadura.

* Com informações da Agência Brasil