Defesa questiona denúncias e pedirá domiciliar para João de Deus

Metrópoles | 16/12/2018 18:30:03

Advogado Alberto Toron falou com a imprensa após o médium chegar a Goiânia: ele disse que há vítimas com passado duvidoso

A defesa de o João de Deus informou no fim da tarde deste domingo (16/12) que pretende questionar a legalidade da prisão do médium. “Ele deu uma mostra clara de que respeita a Justiça. Esperamos que haja sensibilidade e que seja feita uma opção de menor custo para o Estado e para o João de Deus, como uma prisão domiciliar”, afirmou o advogado Alberto Toron. O defensor informou que um pedido de habeas corpus será impetrado ainda nesta segunda-feira (16/12).

Segundo Toron, é necessário ter “calma” e “serenidade” para se evitar “linchamento” do acusado. O advogado ainda questionou a legitimidade do depoimento das vítimas. “Como explica que mulheres que dizem ter passado por momentos horríveis, voltaram cinco vezes, oito vezes, 10 vezes ao centro [espírita mantido por João de Deus em Abadiânia]?”, disse. “Há vítimas com passado bastante duvidoso. À medida que os fatos forem apurados, com as pessoas sendo ouvidas, nós vamos poder ver se tem veracidade. Se são aproveitadores”, completou o defensor.

O advogado, que conduziu todas as tratativas com os policiais civis para a rendição do líder espiritual, afirmou que a movimentação financeira de R$ 35 milhões das contas de João de Deus não teve qualquer relação com uma possível tentativa de fuga. “Ninguém saca essa quantia. Ele tirou de aplicações. Como falamos, ele não se afastou, estava nos arredores de Abadiânia, e se entregou”, afirmou.João de Deus teria passado os últimos dias em um sítio na região.

A retirada do dinheiro de aplicações fez com que o Ministério Público de Goiás e a Polícia Civil de Goiás (PCGO) decidissem acelerar o pedido de prisão de João de Deus.

RendiçãoJoão de Deus se entregou às autoridades goianas por volta das 16h30 deste domingo. A defesa do médium negociava a rendição dele com a Polícia Civil de Goiás desde sexta-feira (14), quando a Justiça do estado expediu mandado de prisão contra ele.

Foram ao encontro do médium o delegado-titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), Valdemir Pereira da Silva, e o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes. Os policiais chegaram ao local marcado para a rendição – uma estrada de terra perto de Abadiânia, e também próximo ao sítio onde o médium estava – em três carros. O acusado se dirigiu até o ponto de encontro no veículo do advogado Alberto Toron.

O trajeto de 90km – de Alexânia até a capital goiana – durou cerca de uma hora. João de Deus não falou com a imprensa ao chegar ao prédio da Deic. O médium deve dormir na unidade policial, onde agentes preparam uma sala para abrigar o líder religioso de 76 anos. Ainda não há informação sobre possíveis transferências para uma unidade prisional. No entanto, já é certo que ele deverá ser mantido isolado, tanto pela idade quanto pela natureza sexual das acusações que pesam contra ele. 

Mais de 300 vítimasA partir das primeiras denúncias, reveladas no último dia 12 no programa Conversa com Bial, da Rede Globo, mulheres do Distrito Federal e mais 13 estados brasileiros, e de seis países, começaram a entrar em contato com o Ministério Público de Goiás. De lá para cá, os promotores colheram 335 relatos de situações nas quais o médium teria se aproveitado da confiança depositada pelas seguidoras para molestá-las e estuprá-las. Após revelarem os casos, as denunciantes passaram a ser atacadas nas redes sociais.

Jornalista: Gabriella Furquim