Com cortes, campus da UFMT de Cuiabá só tem condições para funcionar até julho

André Souza | 09/05/2019 10:36:04

Segundo Myrian Serra, corte inviabiliza cumprimento de contratos essenciais para o funcionamento do campus. Na conta entram os custeios básicos, como água, luz, segurança, internet e limpeza.

Foto: TVCA/Reprodução

Com bloqueio de 30% no orçamento para 2019, a campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Cuiabá tem garantia de funcionamento até julho, segundo a reitora da instituição, Myrian Serra. Nos outros três campi, a previsão é que as atividades sejam interrompidas a partir de agosto.

A redução no orçamento foi decretada pelo governo federal no dia 29 de março.

“A UFMT pode parar. Com o recurso que temos a garantia de funcionamento no campus de Cuiabá é até julho. O corte inviabiliza que nós honremos com os nossos compromissos que são contratos geridos pela instituição”, explicou.

Na conta entram os custeios básicos, como água, luz, segurança do campus, internet e limpeza.

A média de custeio da UFMT é de aproximadamente R$ 90 milhões ao mês. Com o bloqueio de 30%, a verba mensal passaria a ser de no máximo R$ 60 milhões, segundo Myrian. 

“Não vamos ter condições de funcionar porque questões básicas não poderão ser atendidas. Não vai ter água para beber, água no banheiro e energia elétrica, que alimenta não só as salas de aula, mas os sistemas, já que tudo é eletrônico”, explicou a reitora. 

O corte no fornecimento de energia elétrica, uma das maiores consequências citadas por Myrian, inviabiliza, por exemplo, o uso de equipamentos eletrônicos dentro das salas de aula.UFMT — Foto: Assessoria/Divulgação

UFMT — Foto: Assessoria/Divulgação

“Não vai ter projetor. As pessoas vão poder ir para outros espaços, mas não vai ter ar-condicionado, microfone, reagente em laboratório, uma vez que todos os equipamentos são ligados na tomada”, completou.

 

Apesar da preocupação em cumprir os contratos, a reitora afirmou que a maior preocupação da gestão está voltada para os alunos, que serão afetados diretamente pelo corte de gastos. 

“Antes de contrato com empresa pensamos nos alunos de graduação e pós-graduação. Esses vão ter a vida afetada diretamente com o curso que está em andamento. E pensamos na qualidade da universidade que vai ser afetada indiretamente a médio prazo”, disse a reitora. 

Atualmente, a UFMT oferece 113 cursos de graduação, sendo 108 presenciais e cinco na modalidade a distância (EaD), em 33 municípios mato-grossenses. A instituição possui 25.435 mil estudantes, distribuídos em todas as regiões de Mato Grosso.

'Forma de chantagem'

Na avaliação da reitora da UFMT, o corte no orçamento da Educação é forma de chantagem para a aprovação da reforma da Previdência, uma vez que "as universidades federais que são unidades de resistência contra a política do governo que atacas as instituições públicas".

"É uma forma de chantagem o que está sendo feito. É como se dissessem para ficarmos quietos e não questionarmos que daqui dois meses o orçamento volta. Isso não é correto. Além de posicionamento político e partidária, temos um compromisso com a sociedade", declarou.

Decreto

No decreto, o governo detalhou o bloqueio de mais de R$ 29 bilhões em gastos no Orçamento de 2019. A área mais atingida foi a educação (R$ 5,83 bilhões), seguida de Defesa (R$ 5,1 bilhões).

No entanto, em termos percentuais, o maior bloqueio aconteceu no Ministério de Minas e Energia (79,5% do total), seguido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (41,97%), Infraestrutura (39,46%), Defesa (38,61%), Turismo (37,12%), Desenvolvimento Regional (32,37%).

Os menores contingenciamentos foram nas áreas de Saúde (2,98%), na Controladoria-Geral da União (13,63%) e no Ministério das Relações Exteriores (19,97%).
 
 

Fonte: G1