Djokovic

iG São Paulo | 15/07/2019 10:00:11

Para mim, o maior da história

               Novak Djokovic, após o triunfo de ontem, na final de Wimbledon contra o suíço Roger Federer, para mim, se tornou o maior tenista de todos os tempos. Mas, antes de eu argumentar, preciso dizer duas coisas: primeiro, sou fã incondicional de Roger Federer e segundo, reconheço tudo o que o espanhol Rafael Nadal faz e representa para o esporte.

               Antes de Novak Djokovic, apareceu Rafael Nadal, que nunca foi meu favorito, mas disse lá no começo da carreira dele, em um papo informal, que ele seria (naquele momento) o único capaz de ganhar do então Nº 1 Roger Federer. Muita gente me contestou, disseram que eu estava maluco e o tempo provou, como sempre, por ser “o senhor da razão”, que minha avaliação fazia todo o sentido.

               Primeiro porque Rafael Nadal tem uma coisa em seu jogo que nenhum tenista gosta de enfrentar, principalmente Roger Federer, que é a raça absoluta e que jamais, em hipótese alguma, há bola perdida, o espanhol não dá “ponto de graça”, para ganha o ponto contra ele, você precisa ganhar de fato o ponto, porque se você optar por jogar no erro dele, mesmo quando ele não está num bom dia, você tem muita chance de perder.

               Quando Novak Djokovic apareceu, havia também o escocês Andy Murray na parada, outro fora de série que foi o que mais se aproximou dos dois primeiros. No momento que Djokovic aparece, poucos davam a ele o crédito que já fazia por merecer, o sérvio chegou no circuito de uma forma interessante e provava que chegou nesse grupo seleto, para nunca mais sair.

               Mas Novak Djokovic sempre foi o “patinho feio” da turma, ainda o é. Ele brincava de imitar todo mundo no começo, talvez de forma natural, por ser seu jeito meio pateta (no bom sentido), mas não convenceu em nenhum momento que tudo era natural, que aquele era o “Nole” de verdade. Sempre deixou indícios de uma “forçada de barra” no ar. Ele sabe que o público prefere Federer e Nadal.

               No início, todos eram amigos, ou pelo menos faziam a gente acreditar que eram, mas o tempo passou e se sabe que os laços do suíço com o espanhol são mais estreitos e que o sérvio não faz muito parte desse clube. Recentemente questões políticas relativas à ATP mexeram com os ânimos de todos e Federer e Nadal se chatearam com Djokovic, como se não bastasse toda a rivalidade do trio e entre o trio.

               Claro que o tênis por ser jogado individualmente (exceto obviamente nas duplas), traz mais competitividade e rivalidade nas disputas. Sou eu contra você, quero ganhar de você independentemente de ser seu amigo ou não. É 1 contra 1, mas no caso de Djokovic, sempre foi ele “contra a rapa”, porque sempre e até depois da carreira acabar, ele vai ter que provar que é o melhor de todos os tempos.

               Agora vem a minha argumentação: como eu não posso considerar um jogador o melhor de todos os tempos, se ele regularmente tem triunfos sobre os outros dois que são considerados os melhores de todos os tempos? Para mim, ele é sim o melhor e vai bater o recorde de Grand Slams vencidos, ora mais por Roger Federer, ora mais por Rafael Nadal. E o jogo de ontem, para mim, foi o divisor de águas para que eu cravasse essa opinião.

               Vamos aos números: Roger Federer tem 20 Slams, Rafael Nadal 18 (sendo 12 em Roland Garros, onde reina absoluto e reinará por muitos anos mesmo depois de parar de jogar) e Novak Djokovic tem 16 após a conquista de ontem. Se aproxima muito rápido de Federer e Nadal, com uma velocidade e constância, capazes de fazê-lo ultrapassá-los em questão de 2 anos.

               Roger Federer, repito, o meu preferido e maior da história até aqui, vai fazer 38 anos em agosto próximo, Rafael Nadal já fez 33 anos e Novak Djokovic tem 32. O sérvio leva vantagem nesse quesito e chegou aos 16 Slams em menos tempo de vida na comparação com Federer e Nadal. Na questão de jogo e estilo, vejo Djokovic como um mix perfeito do suíço e do espanhol: técnico e clássico, raçudo e físico, uma força mental impressionante e a melhor devolução da história são as armas dele.

               Numa previsão do futuro, imagino sem muito esforço que Novak Djokovic, em relação à Roger Federer, por exemplo, em 5 anos consiga ultrapassá-lo na conquista de Slams, são 20 torneios para ele disputar (após a aposentadoria do suíço, isso claro, imaginando que Nole jogue e se aposente de forma idêntica a Federer).

               Em relação a Nadal, pode haver mais disputa por terem 1 ano de diferença e também pela maior rivalidade, mas Nadal teve na carreira mais problemas físicos em relação a Djokovic e pode abreviar sua carreira em relação a Federer, por exemplo.

               No confronto-direto, o chamado head-to-head, Novak Djokovic leva vantagem sobre os dois: em finais 15x12 contra Rafael Nadal, sendo 4x4 em finais de Slams e no geral, 28x26 para o sérvio, contra o suíço Roger Federer, são 14x06 em finais, sendo 4x1 em finais de Slams e 26x22 no geral. Para mim, números incontestáveis de superioridade absoluta. Se ele venceu mais os dois gênios do tênis, o que ele é então?

               Após a vitória de ontem, que tirou de Federer o 21º Slam, fica claro para mim, que pode ter sido a última ou uma das últimas finais disputadas pelo suíço, acredito que ele se aposente na próxima temporada após os Jogos Olímpicos de Tóquio no Japão, mesmo porque, a ele falta uma medalha de ouro olímpica no individual, já que ele venceu em duplas jogando com Stan Wawrinka em Pequim 2008 e foi prata contra Andy Murray em Londres 2012.

               Quantos Slams mais Roger Federer pode vencer? Difícil prever, mas não imagino que sejam muitos, mesmo ele se cuidando demais, não acredito que levante muitos troféus nessa reta final. Quanto a Rafael Nadal, esse sim pode atrapalhar as conquistas de Novak Djokovic, especialmente, é claro, no saibro de Roland Garros onde o espanhol é o verdadeiro e único rei na história do tênis.

               Vamos refletir agora: se contarmos os 3, Federer, Nadal e Djoko, eles somam 54 Grand Slams, contando de 2003 para cá, ano em que Federer levantou o 1º Slam, são 17 anos e 67 torneios disputados (não contando, claro, o US Open de 2019 que vai ser disputado), eles arremataram 54! 80,5% dos Grand Slams disputados nesse período foram vencidos pelos 3.

               Os outros tenistas que conseguiram levantar Slams nesse período: Andre Agassi, Marat Safin e Stan Wawrinka no Australian Open com 1 título cada; Juan Carlos Ferrero, Gaston Gaudio e Stan Wawrinka em Roland Garros com 1 título cada; Andy Murray 2 vezes em Wimbledon e; no US Open, Andy Roddick, Juan Martín del Potro Andy Murray, Marin Cilic e Stan Wawrinka venceram 1 cada.

               Em relação aos títulos até hoje, Roger Federer tem 102, Rafael Nadal soma 82 e Novak Djokovic 75. Em premiação, o sérvio leva vantagem: 134 milhões de Dólares, Federer ganhou pouco mais de US$ 126 milhões e o espanhol 110 milhões das verdinhas.

               É uma Era do tênis dominada amplamente por esses 3 nomes: Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. A nova geração já chegou e ainda está chegando, mas sinceramente, não vejo uma nova Era com domínio absoluto de 1, 2 ou 3 tenistas como está acontecendo nos últimos 17 anos.

               O garoto que começou a jogar tênis, na quadra em frente ao comércio do pai dele em Belgrado, apenas para ter alguma atividade física para fazer, já que não deixava o pai em paz para trabalhar, para mim, já é o maior da história, mesmo eu sendo fã incondicional de Roger Federer e respeitar imensamente o espanhol Rafael Nadal.

              E comente: Para você, quem é o maior jogador de todos os tempos: Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic?