Após nascer de novo, gringo atende chamado de Ceni no "desconhecido" Fortaleza

Mário André Monteiro | 11/06/2019 06:35:08

Zagueiro colombiano Juan Quintero chegou ao Leão neste ano de 2019 e já se transformou no maior jogador estrangeiro da história do clube

O Fortaleza teve um primeiro semestre de 2019 de muito sucesso com os títulos do Campeonato Cearense e da Copa do Nordeste, apesar do início irregular de Campeonato Brasileiro. E um dos pilares do time tricolor atende pelo nome de Juan Quintero, zagueiro colombiano que é o xerifão da defesa do Leão.

Aos 24 anos de idade, Juan Quintero chegou ao clube cearense no começo deste ano. Ele foi revelado na base do Deportivo Cali, um dos clubes mais tradicionais do seu país, e esteve emprestado ao Sporting Gijón, da Espanha, entre 2017 e 2018.

O defensor também defendeu as seleções de base da Colômbia, jogou Sul-Americano e Mundial da categoria sub-20 e esteve nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, defedendo as cores da sua nação.

E mesmo com poucos meses de Fortaleza, já se transformou no estrangeiro com o maior número de jogos com a camisa tricolor: ele ultrapassou o uruguaio Gastón Filgueira, que jogou 13 partidas. O alemão Fred Maehlmann é o 3º da lista, com oito jogos realizados.

Em entrevista exclusiva ao iG Esporte, Quintero contou como foi o processo de contratação pelo clube da capital cearense. "O ambiente estava pesado no Deportivo Cali, então decidi não renovar meu contrato e foi aí que cheguei ao Brasil", contou.

"Na verdade foi tudo muito rápido. Meus representantes tinham propostas para voltar à Europa e também me falaram do interesse do Fortaleza, que iria jogar a Série A do Brasileiro. Disseram que o técnico era o Rogério Ceni e que ele queria me contratar de todo jeito, que havia pedido minha contratação. Eu falei que se houver acordo de ambas as partes, eu iria sem problemas", disse o zagueiro.

Quintero admitiu que não conhecia o Fortaleza e que recorreu às redes sociais para buscar mais informações da sua nova casa.

"Comecei a procurar informações sobre o clube na internet, buscar nas redes sociais. Vi que a torcida era fantástica, que era um clube sério, que o clube iria jogar a Série A. Vi que era uma oportunidade muito grande para atuar no Brasil, um desejo que eu tinha. E aí tomei esse decisão e agora estou aqui", disse.

"O clube está num processo de crescimento. Fomos campeões do Cearense, campeões da Copa do Nordeste... vamos continuar melhorando no Brasileirão e penso que vamos crescer ainda mais", comentou o colombiano.

Na conversa, Juan Quintero admitiu que o interesse de Rogério Ceni pesou na sua decisão.

"Para mim foi uma surpresa quando meus agentes falaram do interesse do Ceni. Eu conhecia ele, sabia quem ele era e o que representa para o futebol brasileiro. Foi importante para mim, isso ajudou muito na minha tomada de decisão de vir para o Fortaleza".

Ainda falando sobre Rogério Ceni, o zagueiro contou que os treinamentos são inovadores. "O técnico sempre faz algo de novo nos treinamentos, e isso é bom. Sempre estamos fazendo coisas diferentes, sem repetir trabalhos. Sempre algo novo para melhorar. Claro que com a mesma ideia, mas são trabalhos diferentes. São treinos intensos, técnicos e que ajudam muito", disse o colombiano.

"Impressiona demais porque ele tem pouco tempo de carreira", acrescentou.

Mesmo com pouco tempo de Fortaleza, Quintero fez o gol que considera o mais importante da carreira. Em jogo diante do Bahia pela Copa do Nordeste, o zagueiro chegou a lesionar o pé, tomou pontos à beira do gramado e retornou para garantir o empate por 2 a 2.

Confira os gols desse jogo:

Quando ele saiu para ser atendido, o Fortaleza vencia por 1 a 0. No tempo que ficou fora de campo para estacar o sangue, seu time levou a virada.

"Na verdade esse foi o gol mais importante da minha carreira. Foi um momento que vou lembrar sempre. Eu saí por cinco minutos, a gente estava vencendo, e quando voltei o adversário já tinha feito dois gols e estávamos perdendo", contou.

"Olhei a chuteira rasgada, meu pé sangrando muito, o Rogério Ceni ainda disse que eu precisava sair, que não podia jogar mais. Mas eu disse que eu queria continuar jogando. Me trouxeram outra chuteira, tomei pontos no pé ali mesmo. Voltei e fiz o gol. Foi um momento inesquecível", lembrou.

Juan Quintero ainda não entrou em campo pela seleção principal da Colômbia, mas, claro, estará na torcida pelos seus compatriotas na Copa América, que será realizada no Brasil. E o defensor acredita em um bom desempenho do seu país na competição. 

"Agora a Colômbia está em um bom nível, com muitos jogadores experientes, em crescimento, que jogam na Europa, México. Então tem condições de ganhar. É claro que existem times como Brasil, Argentina, Uruguai que são muito bons, mas a Colômbia vai disputar esse título também", avaliou.

A Colômbia faz dois de seus jogos na fase de grupos na cidade de Salvador, região Nordeste do País. E Quintero espera poder torcer pelos seus companheiros 'in loco'. "Se eu tiver tempo, estarei lá. Mas é difícil, porque vamos treinar bastante para a volta do Brasileirão. Mas se eu conseguir um tempinho, vou torcer pelos meus amigos", avisou.

Um triste episódio marcou a vida de Quintero na Colômbia, no final de 2018, quando defendia o Deportivo Cali. Após um jogo da equipe, o seu carro foi interceptado e alvejado por, pelo menos, seis tiros. Seriam "torcedores" do clube de Cali insatisfeitos com os resultados do time e das atuações do zagueiro.

E ele falou sobre o atentado que quase tirou sua vida. "Foi um milagre. Não gosto nem de lembrar. O Deportivo Cali é um time grande e que sempre disputa o título. Depois do último jogo do Campeonato Colombiano, não conseguimos chegar às finais e foi por isso que tudo aconteceu", disse.

"Estava no meu carro com meu irmão, conversando, chegando em casa já, a dois minutos de casa. E aí aconteceu isso. Graças a Deus nenhum tiro acertou a gente. A polícia ainda está investigando. Mas são coisas de Deus, aconteceu, a gente tinha que passar por isso. Nasci de novo", finalizou Juan Quintero.