Aos 40 do segundo tempo

| 15/04/2018 19:55:02

O Corinthians venceu o Fluminense em casa com gol de Rodriguinho após cruzamento de Emerson Sheik. A crônica de hoje fala sobre o ídolo do Timão

Estava terminando. Eis que Maycon acha Sheik na ponta. Ele se esforça no final do jogo. Corre desesperadamente até a linha de fundo e cruza. Cruza de esquerda, que se diga, o destro Sheik. E cruza mirando Rodriguinho, que acerta o pé esquerdo na bola. É gol do Corinthians. Dois a um. Aos 40 do segundo tempo. Nos instantes finais.

 Emerson Sheik fez grande passe para que Rodriguinho fizesse o segundo gol do Corinthians contra o Fluminense
Divulgação
Emerson Sheik fez grande passe para que Rodriguinho fizesse o segundo gol do Corinthians contra o Fluminense

Devo admitir: cometi o grave pecado de não acreditar em Emerson. É isso. Fui pego de surpresa, dirigindo meu carro, em uma segunda-feira, quando ele foi contratado. Estava um calor danado e o telefone não parava de receber mensagens. "É verdade?". "O Corinthians está ficando maluco?", perguntavam. E eu concordei. Sheik, aos seus 39 anos, pouco poderia dar ao clube. Era evidente. Estava, de fato, voltando. Apurei e informei na sequência. O campeão brasileiro surpreendia.

Na entrevista coletiva, pouco tempo depois, Emerson deixou claro que tinha chegado para jogar. Tive a oportunidade de fazer três perguntas ao herói de 2012. E ele respondeu que não foi contratado apenas pela história. O tempo passou e calou minha opinião prematura. Ele tinha razão. Na raça, na qualidade, na disposição em campo. Poucos se entregam, se jogam e aliam qualidade e vontade como o atacante corintiano. Convenceu os 'apesares'. Apesar da idade, apesar do que vinha mostrando antes, apesar da boa 'malandragem' conhecida.

Todo jogo deveria ter um gols aos 40 do segundo tempo, exatamente como foi nesse domingo. É o que faz a torcida explodir, mas é o que ainda dá tempo ao adversário. É o que geralmente dá números finais ao duelo, mas é o que ainda mantém minutos de sofrimento ao virtual derrotado. É o surpreendente, o inesperado, o explosivo. O gol aos 40 do segundo tempo é assim: tudo ou nada; vida ou morte. Ou você acredita ou desacredita. Ou se ama ou se detesta. Ou faz sorrir ou faz chorar. Brinda ou xinga. É a figura máxima da morte do meio termo. Não há quem fique em cima do muro diante de um tento nos minutos finais. Acabando, porém com tempo de ser e fazer feliz pela última vez.

Emerson é a figura humana de um gol aos 40 do segundo tempo. 


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