"Marielle é um cadáver fabricado", diz Carlos Vereza em entrevista polêmica

| 15/04/2018 14:55:03

Em entrevista polêmica, Carlos Vereza vê assassinato de Marielle Franco como "morte fabricada" pela esquerda e se diz bode expiatório de ala petista da Globo. Ator e repórter de O Povo se engajaram em conflito ideológico

O ator Carlos Vereza, 79 anos, deu uma entrevista polêmica ao jornal O Povo . A razão da entrevista era promover a peça "Iscariotes: A Outra Face", que ele apresenta neste domingo (15), em Fortaleza, mas acabou adentrando tópicos do conturbado cenário da política nacional. 

Carlos Vereza polemiza em entrevistaGlobo

Carlos Vereza polemiza em entrevista

Questionado sobre a razão de criticar frequente e veemente os gritos de "Fora, Temer", Carlos Vereza disse que o "'Fora, Temer' é a asusência de um discurso que seja alternativa (...) é criança zangada que tiraram a chupeta".

O ator continuou a elaboração de seu raciocínio. "O Temer tirou o Brasil do abismo, ele está recuperando a economia do País, a inflação está lá embaixo, batendo recordes históricos. Isso é o cara que fez, não é o Vereza que está dizendo, são organismos nacionais e internacionais que comprovam isso. A Petrobrás está se recuperando, de 14 milhões, ele conseguiu recuperar 1 milhão de vagas, isso é o IBGE, a Fundação Getúlio Vargas, o Valor Econômico que diz".

Na sequência, Vereza classifica o MST como uma organização terrorista e expressa desconfiança do discurso vinculado à morte da vereadora Marielle franco. "Ao invés de 'Fora, Temer', diga assim: eu proponho que a reforma agrária seja feita definitivamente, que o Movimento Sem Terra deixe de ser um grupo terrorista e passe a ser um movimento que lute realmente por terra. Eu não sou esquerda nem de direita, mas isso são fatos. Eles não tiveram terra esse tempo todo e não reclamaram com o PT, por quê? Porque é uma organização paramilitar, terrorista, estão aí fechando estrada, queimando pneu, estão lá em Curitiba fazendo necessidade na calçada das casas dos moradores, que não têm nada a ver. São fatos. Estão radicalizando a tal ponto como se quisessem fabricar mais um cadáver, além da Marielle... Marielle é um cadáver fabricado por eles...".

Indagado pelo repórter do jornal quem seriam eles, o ator apontou a esquerda como responsável pela fabricação. "A ideologia radical sectária de esquerda. Eu tenho certeza, não tenho a menor dúvida, porque está havendo no Rio de Janeiro uma investigação (sobre a morte de Marielle) que já chegou a um ponto que, se eles mudarem a narrativa, vai ser uma decepção para muita gente. (...) Essa menina ou foi assassinada pela milícia ou foi assassinada por pessoas que aparentemente compactuam com a ideologia dela", defendeu o ator.

Esquerda avalista de Bolsonaro

Para Vereza, Bolsonaro é um sintoma direto desse radicalismo que caracteriza o Brasil atual. "Eu avalio matematicamente. É uma lei física, a cada ação, uma reação. Como a esquerda radicalizou demais, surge uma reação que é o Bolsonaro, que eu não considero nem de extrema direita, considero de direita. Extrema direita mesmo é o que está acontecendo na Alemanha, que voltou a ter um antissemitismo, alegando, com alguma razão, que os imigrantes estão deturpando os valores nacionais e culturais. Bolsonaro é um cara da direita, não tem saída, é dialética, se você radicaliza de um lado, do outro ele vai desaparecer. É na política, na vida".

Discussão com o repórter

Carlos Vereza analisa cenário político do Brasil durante entrevista no
Reprodução/TV Globo
Carlos Vereza analisa cenário político do Brasil durante entrevista no "Conversa com Bial" e defende permanência de Temer

Em um dado momento, Vereza e o repórter se engajam em um contronto claramente ideológico. O repórter questiona: "Na ditadura militar, o senhor integrava o Partido Comunista e chegou a ser preso. Não teme que, caso um nome como Jair Bolsonaro seja eleito, isso volte a acontecer no País?". Vereza rebate:  "Aí você está radicalizando, comparando o Bolsonaro a um nazista... Você está pressupondo que ele vá sequestrar as pessoas..."

O repórter retruca: "Mas ele prega a censura à arte, a pena de morte..." e Vereza mais uma vez rebate: "Sim, mas a Gleisi Hoffmann e o Lindbergh Farias estão incitando a massa a invadir a Polícia Federal e, obviamente se invadir a Polícia Federal, vai ter gente morta. Qualquer extremo não dá certo". 

Em um dado momento da entrevista, Vereza se diz medium e observa que a "aura" do repórter entrega que ele é petista. "Eu sei que eu não estou te agradando, você é petista, porque eu sou médium e eu estou vendo no teu perispírito que você é petista". O repórter então nega ser petista e o ator insiste. "Você é de esquerda eu estou vendo na sua aura. Cada coisa que eu falo sua aura fica assim piscando".

Maioria petista na Globo

Selmy Yassuda
"Fiquei satisfeito com o resultado", diz o ator Carlos Vereza sobre a repercussão de sua entrevista ao iG

O ator ainda criticou o que chama de lobby gay ("Eu amo o homossexual e odeio o lobby gay. Eu amo o pecador e odeio o pecado") e se definiu como bode expiatório na Globo. "Bode expiatório sou eu, que há 12 anos eu avisei o que seria o PT e as portas de trabalho se fecharam para mim. Eu fui ao Jô Soares e disse e cantei tudo o que ia acontecer com o PT..."

De acordo com Carlos Vereza , "90% dos autores e diretores da Globo são petistas" e ele só não foi mandado embora "porque provavelmente devem ter algum tipo de respeito por mim". A entrevista terminou com ânimos exaltadíssimos e, segundo O Povo , Vereza despediu-se com um "foda-se". 

 

Fonte: IG Gente

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