Com sotaque inglês, "A Favorita" traz choque entre clássico e moderno ao Oscar

IG Gente | 16/02/2019 04:20:02

O iG Gente analisa as chances de cada um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme. "A Favorita", de Yorgos Lanthimos, é o destaque deste sábado (16)

O cineasta grego Yorgos Lanthimos é daqueles que tem um ponto de vista muito forte e uma direção operística algo perversa com seus personagens. Quem viu "O Lagosta" (2015) e "O Sacrifício do Cervo Sagrado" (2017) sabe que sua incursão pela corte inglesa do século XVIII não seria trivial. "A Favorita" confirma as suspeitas dos experimentados e se viabiliza como uma sátira política inventiva, totalmente focada em personagens femininas e nos jogos de poder que se enclausuram nos bastidores.

Com uma inspirada trinca de atrizes, todas merecidamente lembradas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, "A Favorita" é um filme de época diferente de todos aqueles que contruíram o imaginário popular a respeito.

Com personagens indiscretos e famintos, o longa flagra o ser humano no seu pior e tem o despudor de rir disso e convidar sua audiência a se divertir com a própria tragédia (grega?). O roteiro e os diálogos são um primor, bem como toda a parte técnica - devidamente ornada pelas indicações - e favorecem um filme que pode causar estranheza para olhos viciados, mas que ganha pontos por essa insubordinação artística.

Sara Churchill (Rachel Weisz) é a conselheira da rainha Ana (Olivia Colman), uma mulher insegura, arredia e carente que não parece capacitada para comandar o país - que está em guerra contra a França. Sara, valendo-se de estratégias palacianas e de alcova, dita os rumos do país e do confronto, mas vê sua posição privilegiada ameaçada com a chegada de Abigail (Emma Stone), uma prima distante com um talento imenso para a dissimulação e que percebe que cair nas graças da rainha pode ser um bom negócio.

A grande beleza do filme é mostrar esse conflito entre as duas pelo favoritismo da rainha e como ele reflete diretamente tanto na posição dessas mulheres na corte, como nos rumos da Inglaterra e da guerra. Yorgos Lanthimos não se apieda de suas personagens, tampouco de seu público que precisa ou embarcar em sua sintonia, ou tolerá-la. Recomenda-se aderir a essa lisergia narrativa.

O longa venceu sete prêmios Bafta, ofertados pela Aacdemia britânica de cinema, dois no festival de Veneza e teve presença de gala em premiações como o Critic´s Choice Awards e o Globo de Ouro.

"A Favorita" concorre a dez estatuetas. Além de disputar o prêmio principal da noite, compete nas categorias de Direção (Yorgos Lanthimos), Atriz (Olivia Colman), Atriz Coadjuvante (Emma Stone e Rachel Weisz), Roteiro Original, Montagem, Figurino, Direção de Arte e Fotografia.

Fonte: IG Gente