Moreno, vá em paz!

 

A morte do jornalista Jorge Bastos Moreno foi um fato que fez o país lamentar. Sem dúvidas, a imprensa nacional perde um dos seus grandes nomes. Meritoriamente Jorge Bastos também entra na lista dos notórios mato-grossenses que ajudaram a transformar o país por meio do uso exemplar da imprensa, em nome da democracia.

Jorge Bastos nasceu em Cuiabá (MT) em 1955 e morreu aos 62 anos, no Rio de Janeiro. Sua carreira foi pautada pelos furos de reportagem que sempre mobilizaram o cenário nacional. Bastos tinha o perfil investigativo, típico de um bom jornalista que conquistava a confiança das fontes e que era incapaz de divulgar qualquer informação que não fosse para obedecer ao critério do interesse público.

As notícias apuradas por Jorge Bastos marcaram história, como na sucessão do general Ernesto Geisel pelo general João Figueiredo, durante o regime militar. Ou quando revelou fatos que impulsionaram o impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992.

A notória convicção por produzir um material que fosse consistente e de valor à sociedade fez com que Bastos vencesse um dos principais prêmios da comunicação brasileira, o Prêmio Esso de Informação Econômica, em 1999. O prêmio reconheceu a notícia sobre a queda de Gustavo Franco da presidência do Banco Central, o que levou a uma desvalorização do real.

Em março deste ano, Jorge Bastos passou a comandar um programa na rádio CBN, o talk show Moreno no Rádio. No Canal Brasil, Bastos também era âncora do programa Preto no Branco e sempre tecia seus comentários inteligentes e profundos nos programas da GloboNews.

Jornalista, articulista, apresentador, escritor, Bastos deixará a lembrança da generosidade que trazia em suas relações pessoais e a grandeza de um profissional que marcou sua geração.

Muito obrigado Jorge Bastos Moreno por ter cumprido bem tua missão e por ter agraciado o Brasil com um trabalho exemplar e fiel aos princípios e valores que sempre carregou consigo. Aos familiares e amigos, minhas condolências e total solidariedade ao luto.

Finalizo recordando um poema de Mia Couto que expressa bem o sentimento que a morte provoca em nós, quando perdemos alguém tão querido como Jorge Bastos: "morre-se nada, quando chega a vez. É só solavanco na estrada por onde já não vamos. Morre-se tudo, quando não é o justo momento. E não é nunca esse momento".

*Nilson Leitão é deputado federal por Mato Grosso e presidente regional do PSDB/MT


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