Juramidam, Ayahuasca, Céu do Mapiá, Céu do Juruá, Cefluris, Rainha, Jagube, Chacrona, peia, borracheira, miração, Mariri, Orixás, entidades caboclas, santos e mártires católicos, enteais, Mãe D´água, seres (em) cantados da natureza... Estas são algumas das palavras mais presentes nas rotinas de mais de 50 mil pessoas no país que consagram o chá "Ayahuasca", mais conhecido como Santo Daime.
Nesta edição e nas próximas duas, a revista Sina trará uma série de reportagens sobre o uso ritualístico desta bebida, que segundo os adeptos "tem poder inacreditável". Este material é fruto de uma pesquisa que durou três meses e foi produzido a partir de um cuidadoso trabalho de campo, com um levantamento da literatura sobre o assunto, ainda bastante escassas, entrevistas com usuários do chá e participação, por meio do repórter Aluízio de Azevedo, de dois rituais da doutrina neste período.
A revista alternativa Sina conta ainda a impressionante história do gaúcho de Carazinho, Norberto Schwants, colonizador de Água Boa, Canarana, Terra Nova do Norte e depois, deputado constituinte. Vítima de um melanoma, o tumor mais traiçoeiro e o mais imprevisível, em 1º de setembro de 1988, ainda dopado, voltou a Brasília para o último dia de votação da nova Carta. Foi para o Congresso Nacional de ambulância. "Foi emocionante e gratificante", ele relatou. Em casa, com vista para o Lago Paranoá, a Esplanada dos Ministérios e a Asa Norte, Schwantes morreu às 16h30 de 17 de setembro, sábado, uma semana depois de ter ditado o último capítulo de seu livro e uma semana antes de a nova Carta estar pronta para receber a assinatura dos constituintes.
A revista traz ainda em sua última edição do ano, artigos de Bruno José Ricci Boaventura, Luiz Mendes Junior e Jão Guató, além de poesias de Michèle Sato e Carlos Gomes de Carvalho, contos de Danilo Fochesatto e Luis Gonçalves, além da charge do Brás e o Pinel de Amauri Lobo.