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12/03/2007 - 17h02
Jornalismo dos EUA se tornou "provinciano", segundo relatório
EFE


     A redução na receita e a maior competitividade fizeram com que a imprensa dos Estados Unidos entrassem em uma era "menos ambiciosa" e renunciassem a uma visão ampla do mundo em favor de uma cobertura mais local, assegura um novo relatório.
     
     O estudo divulgado hoje pelo Projeto para a Excelência em Jornalismo, um centro independente com sede em Washington, insiste que a luta para criar "marcas" capazes de sobreviver fez surgir um "hiperlocalismo" nos jornais do país.
     
     A decisão de publicações como a do "Boston Globe" de fechar todos os seus escritórios no exterior seria um reflexo dessa tendência, segundo Tom Rosenstiel, diretor do centro independente, filiado ao Centro Pew Research para a Sociedade e a Imprensa, nos EUA.
     
     A isso se soma a renúncia forçada, no ano passado, do diretor do "Los Angeles Times" Dean Baquet, que lutou infrutiferamente para transformar o jornal no quarto lugar de tiragem nacional, junto ao "The New York Times", o "USA Today" e o "The Wall Street Journal", afirmou.
     
     Rosenstiel explicou à agência Efe que, em um mundo globalizado como o atual, não faz sentido que jornais como o "Boston Globe", com sede na cidade que abriga a prestigiosa Universidade de Harvard, não tenham sua própria cobertura internacional.
     
     "A imprensa vem cortando tanto seu pessoal e seus recursos na última década, que se vê agora forçada a reduzir suas ambições", disse o especialista, que destacou que "as empresas midiáticas são cada vez mais empresas de nicho (locais)".
     
     "O conceito das organizações de interesse geral está se transformando em algo do passado", acrescentou Rosenstiel, que considerou que o excesso de informação local reflete um certo "provincianismo".
     
     As questões que o setor vem enfrentando encorajaram também o "jornalismo cidadão", no qual pessoas comuns assumem o papel de repórteres em páginas da internet e outras plataformas.
     
     Outra das conseqüências do "localismo", segundo o relatório, é a aparição de programas televisivos nos quais impera a opinião, uma tendência liderada por Lou Dobbs, da "CNN", e Bill O''Reilly, da "Fox News".
     
     A análise fala de uma mudança "enorme" tanto em jornais impressos como em rádio e televisão, sendo complicado medir a audiência com exatidão.
     
     O estudo assinala, por exemplo, que a circulação diária dos jornais caiu 3% em 2006, e acrescenta que o número de leitores na internet é mais difícil de quantificar.
     
     O mesmo ocorreria com os três canais de televisão aberta ("ABC", "NBC" e "CBS") que perderam, em seu conjunto, um milhão de espectadores no ano passado - a média dos últimos 25 anos -, enquanto o YouTube e outros meios virtuais criaram uma nova plataforma para visualizar o conteúdo das redes de televisão.
     
     Diante desse cenário, os jornais precisam ser "mais agressivos" ao desenvolver um novo modelo econômico.
     
     Uma possibilidade é que os jornais forneçam conteúdo para os sites de internet, que compila conteúdo de outras fontes, como o Google.
     
     O Projeto para a Excelência em Jornalismo insiste em que se trata de uma opção viável, já que os jornais ainda são a principal fonte de notícias e de conteúdo informativo original.
     
     O relatório destaca que o crescimento na internet, que segundo as previsões vai desacelerar, "não é suficiente para esclarecer o futuro" e se pergunta se o modelo de empresa midiática analisada através da bolsa de valores é o mais adequado para a transição vivida pela indústria.
     
     "A gigante da rádio ''Clear Channel'' encarou (esse dilema) ao optar por se transformar em empresa privada", assinala o estudo, que não oferece uma resposta clara sobre se a propriedade privada seria uma fórmula mais adequada.
     
     Mas é taxativo em afirmar que "as notícias não são um produto corporativo", inventado em um departamento de pesquisa e desenvolvimento.
     
     O setor "evoluiu fruto do sentimento popular, de movimentos políticos e do desejo de conhecimento do ser humano", aponta o documento.
     
     Os grandes avanços, segundo o relatório, ocorreram quando personagens como Ted Turner, Joseph Pulitzer ou Adoph Ochs - que transformou o "New York Times" no grande jornal que é hoje - decidiram assumir riscos para tornar realidade sua visão do jornalismo.
     
     
 
 
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