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31/07/2010 - 08h34
"Judicialização" da ´saúde eleva gastos do Estado com medicamentos
Redação 24 Horas News


Os gastos com medicamentos efetuados pelo Governo de Mato Grosso aumentou em média 50% este ano por causa da "judicialização" da saúde. Através de liminares, a Justiça tem obrigado o Estado, através da Secretaria de Saúde, a adquirir medicamentos de alto custo para população. Por conta disso, os secretários de Saúde vivem sob o risco de serem presos por causa da desobediência das decisões. Em Mato Grosso, 23 mil pacientes recebem remédios regularmente e entre 150 e 200 pessoas por mês conseguem medicamentos por meio

As liminares, de acordo com o secretário Augusto Amaral, são o motivo para o aumento das despesas porque os medicamentos solicitados não constam nas portarias estadual e federal. Nessas portarias estão as listas com os tipos de remédios que o Sistema Único de Saúde (SUS) pode ofertar. Em sete meses, o gasto subiu para R$ 60 milhões

Amaral conta que os chamados "medicamentos excepcionais" fogem do padrão dos que são solicitados no cotidiano. "A aquisição desses medicamentos é mais complicada, são todos importados. Alguns estão regulamentados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), outros não". Ele explicou que em torno de 15% do valor mensal gasto são com medicamentos exigidos por liminares, que demoram entre 7 e 15 dias para serem entregues.

O secretário chamou de "desencontro" de informações a exigência da Justiça para o repasse do medicamento. Segundo ele, todas as liminares são cumpridas pela Secretaria Estadual de Saúde. Amaral teve sua prisão decretada recentemente. "Nós entregamos os medicamentos, mas não informamos ao juiz. Ele apresenta a liminar sem saber se o remédio foi entregue".

Para tentar melhorar o canal de comunicação entre a SES e a Justiça, a pasta disponibilizou aos juízes um e-mail e o número de um telefone celular para que os magistrados se informem se o pedido de entrega foi cumprido antes de assinar o documento.

Questionado se as liminares são uma forma de intromissão do Judiciário sobre as decisões do Executivo, o secretário disse que não vê dessa forma, mas que poderia haver um melhor atendimento das exigências dos juízes.

No dia 20 de julho, o adolescente Matheus Silva Borges, 13, morreu em Sinop (500 km ao norte de Cuiabá) após a suspensão do abastecimento do medicamento Zavesca. Ele tinha uma doença degenerativa chamada Niemann-Pick Tipo C (NPC), que causa danos ao organismo e comprometimento neurológico.

A mãe do garoto, Márcia Regina da Silva, foi uma das 200 pessoas por mês que recorrem ao Judiciário para garantir o direito do recebimento contínuo do medicamento, que não foi cumprido. O remédio que Matheus deixou de receber tem o custo de R$ 28 mil e é importado.

 
Comentários:
Nelson Frederico - 31/07/2010 18:10:00
Graças a Deus temos o Poder Judiciário para fazer valer a Lei nesses casos!!! E lembrem-se que nessas situações a Justiça, mesmo diante da greve, atende ao Cidadão com bastante rapidez. Parabéns aos Magistrados, Serventuários e demais operadores do direito.
eduardo - 31/07/2010 11:00:00
Em verdade o problema não se restringe ao MT, mas aqui atingiu contornos de pânico, pois o necessitado ou paciente é tratado como nada pela SES, a gestão da Secretaria é totalmente equivocada, como advogado e conhecedor por pretação de serviço sou testemunha do fracasso da diretoria que por muitos anos administrou a SES, na verdade o secretárioo anterior nada sabia ou sabe de gestão, sabe muito de contratos. O espirito estradeiro do governo BM contaminou a SES achando que resolveria os problemas com estrada e ambulãncias, ocorre que não temos as estradas e as ambulâncias mais matam que salvam é estatística. Mostrem os números da central de regulação de leitos (não defendo o WS, é péssimo em todos aspectos), discorro sobre um problema institucional. Conheço o hospital de Rondonópolis em cada um de seus indicadores, é sofrível. O de Sorriso funciona à margem das normas sanitárias. O e cáceres, misericórfia. E mais, sou usuário do SUS quando temos problema, dá-lhe policlínica do verdão, são horas de espera mas somos atendidos, tal fato também ocorre em médicos qua marcam consulta às 16 horas, à R$ 300, e nos faz esperar até 20 horas. Tudo tem solução, mas o viés político impede a colocação de pessoas COMPROMETIDAS no lugar certo e, pasmem, a maioria não tem compromisso político ou rabo preso com ninguem, por isso não dariam "prioridade", como faszem os atuais vassalos, aí está o mal da SES e o motivo dos juízes canetarem sem dó aos pedidos de urgência, os magistrados têm vida pública e sabem que vida não tem valor na SES, é só mais uma estatística.
 
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