Essa logística problemática, tanto de estradas esburacadas como de ferrovias escassas no Mato Grosso, espelham o resultado de anos de falta de investimento por todo o Brasil, avaliou o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho.
"Não tivemos nenhum avanço em logística, isso tem desestimulado um pouco... A agricultura está crescendo, mas tem um ônus muito grande ainda, questões antigas. A logística sequestra a renda, literalmente", comentou Ramalho.
O frete de Sorriso (o maior produtor de soja do Brasil, no Médio-Norte de Mato Grosso) até Santos está em alta este ano, e sai em torno de 230 reais por tonelada. Isso representa mais da metade do valor da soja cotada em Sorriso, atualmente em 377 reais por tonelada, segundo fontes ligadas aos produtores.
Embora a ALL ofereça transporte a um custo mais baixo do que o rodoviário, essa vantagem do frete ferroviário acaba não sendo completa para o produtor de Mato Grosso, segundo especialistas, porque a companhia tem o monopólio da ferrovia. Além disso, a maior parte do produto levado por trens é das tradings.
"A ferrovia em Mato Grosso só serve pra diminuir um pouco o trânsito das estradas", disse uma fonte, que preferiu anonimato.
Normalmente, a ferrovia deveria oferecer transporte 30 por cento mais barato em comparação ao "sobre rodas", o que não é o caso em Mato Grosso, segundo fontes do setor produtivo. A ALL não divulga valores de frete.
Enquanto a safra cresce, aumenta a esperança de melhores condições de transporte em Mato Grosso. O governo promete até o final de 2011 a conclusão do asfaltamento da BR-163 em direção ao Pará, o que permitirá o escoamento da safra pelo norte do país .
Além disso, a ALL está investindo 700 milhões de reais, a maior parte financiada pelo BNDES, no prolongamento da ferrovia até Itiquira e Rondonópolis (MT), outra obra do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), que deve estar concluída em 2012, segundo a empresa.