Nasceu na Itália, estudou na Argentina, contribuiu para a música paraguaia e brasileira, revolucionou o tango ao lado de Astor Piazzolla e realizou inúmeras turnês por países da América, Europa e até na extinta União Soviética. Este é José Bragato, versátil compositor ítalo-portenho que será homenageado pela Orquestra do Estado de Mato Grosso (OEMT), de sexta a domingo, 14, 15 e 16 de agosto, no teatro do SESC Arsenal, sempre às 20 horas.
O repertório destas apresentações, que integram a série de Concertos Oficiais será inteiramente dedicado às canções de Bragato. Nove peças impregnadas pelo vigor do tango apresentam a arte de um dos maiores expoentes da música sul-americana ao público cuiabano: Malambo, Techagaú, Para Adriana, Milontan, Saudade, A um amigo, Graciela y Buenos Aires, Melodía para mi padre, Ti Ricuardis, dentre algumas surpresas.
José Bragato, que ao longo da vida trabalhou com grandes artistas estrangeiros como é o caso do maestro Mitieslav Rostropovich, Guiden Kremer e Yo-Yo Ma, a quem apresentou a obra de Piazzolla, sempre esteve empenhado em levar a arte do maestro argentino para além da América Latina. “Estes aristas incorporaram a obra de Piazzolla a seus concertos e gravações, como por exemplo, o disco “Soul of Tango”, de Yo-Yo Ma, músico norte americano, nascido na França, e de origem chinesa”, explica Bragato.
Além de compositor, José Bragato atuou como violoncelista em prestigiosas orquestras e grupos de câmara, na Argentina e no mundo, inclusive junto ao mestre do tango, Astor Piazzolla. “Em 1955, ao lado de Piazzolla, fundamos o ‘Octeto Buenos Aires’ e revolucionamos o tango. A partir deste momento, comecei uma amizade pessoal e artística com Astor Piazzolla. Até hoje me dedico a fazer arranjos de sua obra”, recorda José Bragato, aos 94 anos de vida. “Atualmente continuo minhas atividades de compositor e arranjador, tanto das minhas peças como das de Piazzolla, que me legou expressa autorização, redigida de próprio punho, para levar adiante toda sua obra”, conclui.
VIOLONCELISTA A ALTURA
Para fazer justiça à obra do compositor que nasceu na Itália, mas se tornou um respeitável personagem portenho, tendo sido importante músico e colaborador na vida e obra de Astor Piazzolla, a OEMT convidou para os concertos de agosto, Antônio Del Claro, considerado pela crítica especializada um dos mais importantes e reverenciados violoncelistas da atualidade.
Paulista, Antônio Del Claro veio de uma família de instrumentistas e começou a estudar música bem cedo, logo aos sete anos de idade, em casa, com o pai, com quem aprendeu a tocar violoncelo. No Brasil, Antônio Del Claro estudou com Jean Jacques Pagnot e, mais tarde, na Itália, foi aluno do violoncelista Radu Aldulescu. Ainda na Itália, estudou música de câmara com Erico Mainardi e classificou-se em primeiro lugar no Concurso de Verão de Taomina.
Estudou em Paris com Roberto Salles e aperfeiçoou suas técnicas em Genebra, na Suíça, onde se tornou discípulo do consagrado violoncelista Pierre Fournier. Ainda na Suíça, integrou o ‘Trio de Genebra’, juntamente com o pianista Daniel Spielgeberg e a violinista Saskia Fillipini, com quem se apresentou, além da Suíça, na França e na Itália. Foi o mais jovem integrante da Orquestra de Câmara ‘Pró-Música’ de São Paulo e da Orquestra Filarmônica de São Paulo. Posteriormente, tornou-se o primeiro violoncelista da Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo e da Orquestra da USP.
Como recitalista, tem atuado no Brasil, França, Suíça, Itália, América Latina e EUA. Como professor, além de ter integrado o corpo docente do Departamento de Música do Instituto de Arte da UNICAMP, realiza seminários de violoncelo e master classs em diversas cidades do Brasil e EUA.
Recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte [APCA] o prêmio de Melhor Solista Jovem de 1967 e 1972 e Melhor Solista em 1992. Em 1999 recebeu o Prêmio Carlos Gomes como Melhor Solista Instrumental. Como solista, Antônio Del Claro atua junto às maiores orquestras brasileiras e nos mais importantes centros culturais do mundo.
Sobre a participação na Orquestra do Estado de Mato Grosso, Del Claro declarou: “Encaro cada um dos meus trabalhos com a energia e a emoção de uma primeira vez. Mas essa apresentação em Cuiabá é particular no sentido de ser minha primeira participação como solista da Orquestra de Mato Grosso e espero que não seja a única”.