A Cervejaria Petrópolis, por meio do publicitário Marcos Valério de Souza, réu no processo do mensalão, havia planejado pagar R$ 3 milhões pelo inquérito forjado contra dois fiscais da Fazenda paulista que multaram a empresa em R$ 104 milhões.
A informação consta no relatório da Polícia Federal, que prendeu, há oito dias, 17 pessoas durante a Operação Avalanche --a maioria advogados e policiais.
A primeira parcela de R$ 1 milhão, que seria paga no dia 13 de agosto, em dinheiro, foi apreendida pela PF após monitoramento de conversas telefônicas entre Marcos Valério e o advogado Ildeu Pereira Sobrinho, que foi contratado pela cervejaria por indicação do publicitário.
Segundo a PF, a atuação de Marcos Valério em benefício da cervejaria era mais ampla.
Ao lado do sócio dele, Rogério Tolentino, também preso, o publicitário "defendeu interesses relacionados à Cervejaria Petrópolis", diz a polícia, sempre por meio do advogado Pereira Sobrinho.
De acordo com a PF, eles tentaram obter informações sigilosas de um processo aberto contra a empresa no Rio de Janeiro e se aproximar de uma magistrada de Boituva, onde tramita uma outra ação contra a cervejaria --o que não ocorreu.
A cervejaria informou não ter qualquer vínculo com o inquérito aberto contra os dois fiscais da Fazenda.
Em depoimento, Marcos Valério disse que a participação dele no episódio se limitou a recomendar um advogado tributarista à cervejaria, que havia sido multada. Afirmou desconhecer todos os demais detidos.