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25/02/2008 - 12h41
Pesquisadora da USP refém dos Ikpeng passa mal; clima é tenso
Carlos Eduardo Lemos
Redação 24 Horas News



     A antropóloga Edir Pina de Barros, estudiosa do povo Karib, da etnia Bakairi, em Mato Grosso, está entre os pesquisadores feito reféns pelos índios Ikpeng, no Parque Nacional Indígena do Xingu. Ela teria passado “muito mal por causa da pressão arterial”, segundo informou sua filha, a jornalista Maíra de Barros Sardinha. A Fundação Nacional do Índio (FUNAI), segundo ela, chegou a enviar um avião, mas a pesquisa não foi liberada ainda. “Ela é hipertensa e não pode ficar sem medicamentos” – comentou, preocupada, através de carta de protesto.
     
     “Sei que neste caso, poderia ser solicitada a intervenção do Ministério Público Federal, porém, se isto ocorrer a Polícia Federal será acionada para ir até o local. Os índios se rebelariam ainda mais e a situação poderia ficar pior” – assinalou Maíra. “Além disso, eles já informaram a um contato da Funai (DF), que pode ocorrer morte se a PF entrar na terra deles”. Edir Pina de Barros é em Antropologia Social pela USP.
     
     Maíra se diz revoltada com a situação em que a Funai não se manifesta em enviar um representante para a área. Os índios querem que seja o presidente do órgão, Márcio Meira, mas ele está irredutível. “Tenho questionado: se ele está na função é para cumpri-la. Será que vão esperar até quanto? Compreendo a revolta dos índios por causa da destruição que apenas eles sentem acontecer na vida sócio-cultural e por respeito a isso não me manifestei antes”.
     
     A filha da pesquisadora diz que se sente “mal informada e atendida pelo órgão responsável” e justifica a sua opção de contatar a mídia e autoridades políticas. “Cresci junto aos índios e os respeito. Tento me manifestar de uma maneira em que não fiquem prejudicados. Por eles, por minha mãe e seus colegas peço que sensibilizem mais com a situação” – frisou.
     
     Ela diz que a situação no Xingu “é triste por causa da construção da Usina Paranatinga II e das demais”. Diz também que a região está nos arredores da área cujo significado secular será destruído pela hidroelétrica. “O local é sagrado para o conhecido internacionalmente ritual Karup. E mesmo assim, na visão das autoridades políticas, os avanços das tecnologias e da necessidade do crescimento econômico de Mato Grosso parecem estar acima de tudo. Por outro lado, entendo a importância e necessidade da energia” – ela ponderou.
     
     O caso da construção da Usina está na 1ª Vara da Justiça Federal por uma Ação Cívil Pública movida pelo MPF, procurador Mário Lúcio Avelar. “Mesmo assim as obras continuaram” – denunciou, se dizendo revoltada com a situação.
     
 
 
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