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11/01/2008 - 20h56
Falta de chuva pode levar consumidor residencial a pagar mais por energia
Alana Gandra
do Rio de Janeiro



      A diretora-executiva da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE), Sílvia Calou, disse hoje (11) que uma eventual crise de energia, por causa da escassez de chuvas no país, poderá refletir em aumento da tarifa para os consumidores residenciais. Ela garantiu, entretanto, que não haverá tarifa extraordinária.
     
     
     “O período é crítico. Nós estamos em estado de alerta, preocupados com questões de atendimento, custo de energia e, também, com as chuvas”, afirmou Sílvia, em entrevista à Agência Brasil.
     
     Segundo ela, a situação, apesar de preocupante, pode se reverter nos próximos meses. O período úmido, que começou em dezembro, vai até o final de março. Dependendo do volume de chuvas que cair até lá, os problemas enfrentados hoje poderão acabar se desfazendo, disse Sílvia. É preciso, contudo, que haja uma onda de chuva considerável e que ocorra nos lugares acertados, como as cabeças dos rios e os reservatórios das hidrelétricas, explicou.
     
     "Se houver essa reversão, a situação de pressão sobre os preços muda de figura, e a avaliação final do impacto da geração extra que está ocorrendo neste momento de usinas mais caras a gás natural, a óleo diesel ou óleo combustível vai ter que ser feita um pouco mais para a frente.”
     
     Para Sílvia Calou, ainda é cedo para quantificar o impacto decorrente da crise. “O que podemos dizer é que os consumidores livres, aqueles que são livres para contratar o suprimento de energia com quem escolherem e que não têm contratos de longo prazo, já estão se deparando com o preço muito alto no mercado. Então, já há um reflexo neste momento para quem não tem contrato de longo prazo.”
     
     Ela explicou que as distribuidoras que fornecem energia para os consumidores residenciais estão contratadas. A maior parte dos contratos das distribuidoras é com as usinas hidrelétricas. Sílvia Calou disse que a parcela de energia termelétrica dentro dos contratos é muito menor. Apesar disso, a ABCE acredita em algum impacto nos preços aos consumidores cativos, como os residenciais.
     
     Esses efeitos, porém, serão sentidos somente nas datas de reajuste das distribuidoras. “Não estamos esperando nenhum reajuste de energia extraordinário para os consumidores residenciais principalmente”. O mesmo ocorre em relação aos outros clientes “do pacote geração, transmissão e distribuição” das distribuidoras, afirmou Silvia.Os reajustes tarifários devem ocorrer de forma normal neste ano e no próximo. Essa é a expectativa da ABCE, acrescentou.
     
     A diretora da ABCE observou que os grande consumidores, que optaram por se tornar livres e não têm contratos de longo prazo, já estão enfrentando preços altos. Nesse caso, estão grandes indústrias, como fábricas de alumínio, e grandes redes de supermercados. “Os consumidores que têm contrato de longo prazo e estão consumindo dentro do contrato não estão sendo afetados ainda pela elevação do custo de energia.”
     
     
     Ontem (10) o preço da energia comercializada no mercado à vista estava em R$ 473,90 o megawatt/hora (MWh). mas hoje (11) já subiu para R$ 580,00. A tendência é o preço continuar se elevando, caso as chuvas não ocorram no país. “O preço, nesse momento, depende muito das chuvas. Ele pode cair, se a chuva aumentar no período. Se a chuva não vier em volume considerável, há sim uma tendência desse custo aumentar, porque vão entrar [em operação] essas térmicas a óleo diesel ou óleo combustível, que são térmicas muito caras”, admitiu.
     
     
 
 
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