Militância e profissionalismo. Talvez sejam estas as duas palavras que melhor definam o desempenho da terceira edição do Festival Calango, que aconteceu neste final de semana em Cuiabá. A música brasileira independente foi o centro das atenções e, de beira, foram discutidos os rumos e perspectivas de setores ligados à produção de cultura, sempre com foco na cena alternativa, como o audiovisual, a literatura, o jornalismo cultural e, é lógico, música.
Começou na sexta-feira (29/07) e terminou na madrugada desta segunda-feira (01/08). Só que o Festival, na verdade, começou há quase três meses com a realização das prévias que selecionaram as bandas mato-grossenses que se mesclaram com outras bandas, vindas de praticamente todas as regiões brasileiras. A pluralidade de sons e estilos predominou na "Cidade das Artes", espaço montado no estacionamento do ginásio de esportes da Universidade Federal de Mato Grosso, onde as bandas se alternavam em dois palcos com tempo médio de 30 minutos para cada. Entre 15 e 20 mil pessoas prestigiaram e se divertiram com o Calango ao longo desses três dias.
O evento foi patrocinado pelo Governo do Estado e Prefeitura de Cuiabá. "Estou muito satisfeito com o Festival. A organização e as propostas bem desenvolvidas são exemplos a ser seguido", disse o secretário de Estado de Cultura, João Carlos Vicente Ferreira. O Calango foi organizado por instituições como o Espaço Cubo, A Fábrika e Samba de All Stars. Contou, ainda, com apoio cultural de inúmeras empresas e instituições públicas e privadas. "Festivais e articulações como o Calango são raros", destaca Ulysses Xavier, um dos produtores do Porão do Rock, evento já tradicional em Brasília, convidado especial. Ele salientou que a participação e o apoio da sociedade organizada em acontecimentos dessa natureza são importantes para a consolidação da cena alternativa na indústria fonográfica nacional.
Cerca de mil empregos diretos; contratação de serviços nas áreas gráfica, transportes, hotelaria, segurança; ampla cobertura da mídia regional e espaço em veículos de comunicação de projeção nacional como o JB on-line, Folha de São Paulo e Correio Brasiliense, entre outros, além da mídia chamada alternativa; são outros detalhes que confirmam o sucesso do Festival Calango. Por falar em detalhes, os eventos mais grandiosos são feitos pela somatória deles. Para saber de tudo a melhor dica é uma visita ao www.festivalcalango.com.br .
"Eu não esperava esta cena. É como ‘a porta da esperança’. Não ficou a devendo a nenhum festival semelhante realizado em qualquer lugar do Brasil", disse Bel Rocha, baixista e vocalista do Irmãos Rocha!, de Porto Alegre (RS), uma das bandas que balançou a moçada. Bel fez questão de registrar sua surpresa para com a boa organização: "Eu jamais desejaria organizar um festival com 48 bandas". "Festivais de música independente são a coisa mais legal que está rolando", afirmou o performático Daniel Belleza (com dois eles), da banda paulistana Daniel Belleza e os Corações em Fúria, uma das maiores atrações do Calango. Ele elogiou a iniciativa de inserir em tais eventos discussões e debates envolvendo outras artes, além da música. A respeito do grande número de pessoas flagrado no Festival, foi profético: "É uma ilusão achar que não há público para isto", concluiu.